Como o machismo permeia o dia-a-dia das mulheres: uma visão da área de TI

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No mês em que é comemorado o dia da mulher, convidamos a colaboradora da NeoAssist, Isabele Carvasan, para contar sobre a sua história, sobre como é ser uma programadora em um ambiente tão masculino quanto o da tecnologia e sobre os desafios de ser mulher no mercado de trabalho.


 

dia da mulher

A reflexão sobre o mês do dia da mulher

Seja qual for o ambiente ou momento, inclusive durante o Dia da Mulher, presenciamos momentos desconfortáveis e hostis por causa do machismo.

Infelizmente, esses momentos ainda percorrem nosso dia-a-dia: toda mulher já presenciou aqueles “fiu-fiu” ao simplesmente andar pela rua, ou então teve que ouvir aquelas frases invasivas como, por exemplo, “Você ta bonita, né?” ou então “Vamos mudar de assunto, você não entenderia.”.

Mais triste ainda é ter esses preconceitos refletidos até no próprio ambiente de trabalho, onde duvidam da sua capacidade e conhecimento só por ter nascido mulher. Em áreas onde a maioria dos funcionários são homens isso fica ainda pior.

No caso da tecnologia, que é a área da qual faço parte, o dado mais recente é o do Censo do IBGE datado em 2010 que diz que, dentre 520 mil brasileiros atuantes na área de TI, apenas um quarto do total, ou seja, aproximadamente 130 mil brasileiras (25%) fazem parte desse número. Bem discrepante, não?
Sendo o Dia da Mulher comemorado durante esse mês, faço um convite a você para refletirmos mais sobre esses casos ainda tão presentes.

Como escolhi TI

Primeiramente, vou contar um pouquinho da minha trajetória: meu nome é Isabele, tenho 21 anos e estou na área de tecnologia há 7 anos. Tudo começou em 2012 quando optei por fazer o ensino médio integrado ao técnico pelo Colégio Técnico Industrial (CTI) da Unesp, em Bauru. Houve encantamento assim que entrei em contato com todas as belezas do mundo da programação.

Com o passar do tempo, decidi continuar essa trajetória e dei início à graduação em Sistemas da Informação pela Unesp, também em Bauru. Foi por volta dessa época que comecei também a presenciar as situações não tão agradáveis presentes numa área dominada por homens.

A faculdade

No contexto da faculdade, a maioria dos meus professores e colegas de turma são homens. Em relação às alunas que estão ingressando na graduação, o impacto já começa durante os trotes universitários quando conhecem seus veteranos que, ao invés de serem amigáveis e dispostos a ajudar, demonstram um comportamento que assusta e até intimida.

Não sendo o bastante, professores misóginos – aqueles que praticam misoginia, ou seja, o ódio, desprezo ou preconceito contra as mulheres – a todo momento atacam indiretamente as estudantes presentes com aquelas piadinhas que de engraçado não tem nada.
Tive um professor que em toda aula fazia comentários como: “Me desculpem as meninas na sala…” e logo em seguida soltava um comentário desvalorizando todas as mulheres, intelectual ou fisicamente.

O mercado de trabalho

Após o ingresso em um emprego, o contexto não sofre alterações: constantes são as situações onde o conhecimento técnico da mulher é posto em questionamento, seja por colegas de trabalho, superiores ou até mesmo clientes. Poucas são as empresas que realmente “vestem a camisa” da causa por igualdade de gênero.

O Dia da Mulher


Tendo falado tudo isso, gostaria de destacar o objetivo principal do Dia da Mulher: simbolizar a luta constante pela igualdade de gênero. É para enfatizar globalmente durante um dia a batalha diária travada pelas mulheres do mundo todo em busca do simples direito de ser quem quiser e onde quiser.

E como podemos melhorar essa realidade? Ações coletivas – envolvendo todo e qualquer gênero – devem ser cada vez mais divulgadas para conscientizar as pessoas que ainda não tiveram acesso a informação que estamos discutindo agora. Assim, nosso objetivo durante todos os dias – ainda mais reforçado durante o Dia da Mulher – é mudar o contexto social relacionado à todas as mulheres do nosso país!

A importância da representatividade

Representatividade é você conseguir encontrar em outra pessoa um exemplo que você deseja seguir – seja relacionado a uma profissão, curso, personalidade, etc -. Esses dias atrás, estava navegando pela internet quando encontrei o projeto PrograMaria. Formado apenas por mulheres que desejavam aprender a programar, o projeto teve início como uma ideia de um grupo de estudos, tornando-se mais tarde um meta-site sobre mulheres e tecnologia.

No blog do projeto elas discutem sobre representatividade de gênero e empoderamento, nos mostram estatísticas e relatos reais de mulheres, além de se comprometerem a, com a nossa ajuda, “empoderar meninas e mulheres, mostrando que elas são capazes de realizar suas próprias ideias”.

Quão maravilhoso é isso, não? Mulheres unidas em busca de encorajar mais mulheres a seguirem seus sonhos. É por isso que a representatividade importa muito! Devemos quebrar o esteriótipo de que todo programador é um homem branco, que usa óculos e possui um ar intelectual. Se você é mulher e tem o interesse em programar – ou ingressar em qualquer profissão que tenha vontade – vá em frente e não se abale pelas dificuldades durante o caminho.


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